Terça-feira, Julho 13, 2010

Hoje é Dia do Rock !!

todo dia é dia de alguma coisa em sua vida, e na minha.
agora, por exemplo, é dia de comemorar um estilo música que virou estilo de vida. neste 13 de julho foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), o dia do rock.
a data é a mesma do megaespetáculo Live Aid, criado por Bob Geldof, a fim de arrecadar fundos para combater a fome na África. dia de um grande show com os nomes mais importantes do rock mundial, e realizado simultaneamente em Londres, na Inglaterra, e na Filadélfia, nos Estados Unidos, todos nesta mesma data, em 1985.
O razão da escolha é significativa, porque o evento na verdade caracteriza, talvez, a última grande manifestação significativa e de impacto, onde se possa ver a típica atitude da cultura explosiva e criativa da geração que influenciara o planeta.
o rock, criado à imagem e semelhança de sua geração. tem eterna identidade jovem, é plena, para sempre. as suas referências estão cheias de valores imortais.
o amar à vida é mais do que uma ode intensa, ele remete ao ato vivo que o início definitivamente transgressor. o expressar-se.
viver tinha que ser absolutamente. não era para menos, começou quebrando limites, entre pretos e brancos, ricos e pobres, lucidez e loucura, feio e bonito, bons e maus, homens e mulheres, países, continentes.
mas, sempre aqui e agora. ser jovem é para sempre mas, observe a bula, o preço é alto, pod ser por pouco, muito pouco tempo.
a geração que viveu nos 50's, 60's e 70's, não estava nem aí e como nenhuma outra, foi capaz de fazer acontecer através de uma movimentada e inesperada seqüência de mudanças culturais profundas e significativas.
ela trouxe consigo esta associação música+atitude=transgressão cultural.
bem, pelo menos até ser inventada a fórmula para o sucesso. aí, descobriu-se o coreógrafo de palco, a ascendência dos diretores de marketing e o poder das gravadoras com as suas set-list e até mesmo o ultrajante playback. mas, nunca para sempre, só até ressurgirem das cinzas com Ramones e Clash à frente do movimento dos subterrâneos do punk-rock londrino e de Nova York. foi um últimato aos sentidos. um último suspiro dos corações rebeldes. talvez.
o que importa é que, de forma inédita, em 85 o evento de Bob Geldof foi transmitido para todo o mundo com a participação de artistas tri-cools e bandas clássicas como The Who, Madonna, Led Zeppelin, Dire Straits, Queen, David Bowie, BB King, Mick Jagger, Sting, U2, Paul McCartney, Phil Collins, Joan Baez.
Em 2005, o mesmo Geldof organizou o Live 8, maior e em com shows em mais países, para pressionar os países ricos e os líderes do G8 a perdoar a dívida dos países pobres.
trazer novamente à exposição pública as grandes causas sociais, derrubando o discurso hipócrita do poder foi uma atitude "rock". era a alma rock latejando seu amor pela vida. depois disso, parece, descança em paz e se torna história. e como história começa no final da década de 40 e início dos anos 50, nos Estados Unidos, se espalhando pelo mundo.
há controvérsias sobre qual foi a primeira gravação do rock, a que marcaria o início do gênero musical, mas com certeza não foi, como muitas vezes é indicado, o esperto bonachão do Bill Harley, um sujeito que teve a percepção imediata do novo diante dos seus olhos, e ouvidos, e partiu para o abraço da glória com uma das mais famosas e emblemáticas canções do rock'and roll - Rock Around The Clock- lá por 1955.
that's rock'and roll! rock me baby!

Dias de Rock

Eu sei, é apenas “rock and roll”, mas eu gosto. Nem sei quando começou essa coisa, até estranha, de gostar de rock num país tropical. O Brasil é um lugar rico em tradições e estilos musicais. Muitos deles são mais bonitos, mais sofisticados, mais românticos e mais alegres do que qualquer outra coisa já feita no resto do planeta.
Eu sei, é apenas “rock and roll”, mas eu gosto. São só três notas musicais. Aquela batida simples e sincopada. Uma dança meio maluca. Nada mais simples, nada mais óbvio. Letras básicas, tipo “eu amo você” ou “há, eu não amo mais você”. Pelo menos foi assim que tudo começou.
Sem muito trabalho para criar, nada de coisas complexas, o tempo passa e nas tardes da eternidade a pressa é a sede da juventude. Coisas básicas: mudar o mundo, cruzar o planeta. Desvendar a Califórnia, Londres e Hamburgo. Tóquio, Pequim e Bombaim. Seguir a infinita highway, ir a todos os lugares, por todas as autobans.
Eu devo ter estacionado num daqueles lugares onde o prá sempre sempre acaba. Onde se dá lugar ao novo. Novos Lennon&McCartney, Simmon and Garfunkel, Paulo Coelho e Raul Seixas. Onde os “malucos beleza” insistem em sonhar com um mundo melhor para todos.
Dias de Rock ainda reverberam em mim.
Foi motivo o bastante para querer revisitar a história desta trilha.


Para: Lennon & McCartnney
Por que vocês não sabem/ meu lado Ocidental./ Não precisa medo não/ não precisa da timidez/.Todo dia é dia de verão./ Eu sou da América do Sul./ Eu sei vocês não vão saber./ Não precisa medo não /não precisa da timidez / todo dia é dia de viver.
De: Milton Nascimento & Lô Borges

Enquanto o estudante José Dirceu, atual Ministro da Casa Civil do governo Lula erguia sua voz num congresso da UNE em protesto ao regime militar nos anos 60, uma outra turma de universitários de Minas Gerais, fundava num boteco encravado no centro de uma bucólica Belo Horizonte o revolucionário Clube da Esquina.
Entre goles de cerveja e beliscos e petiscos deles, ensaiavam soluções para os problemas brasileiros em sua versão musical. Desenvolviam, ali mesmo, na mesa do bar, estratégias para conter o impressionante avanço da poderosa indústria cultural estrangeira do pós-guerra.
Desta trincheira sairiam nomes como Milton Nascimento, Fernando Brant, Lo Borges, Beto Guedes e Wagner Tiso entre tantos outros e pelo menos um hino daquela geração: Travessia.
Em todos os lugares do país se ouviam protestos ou manifestos. Ninguém era de todo indiferente a nova ordem. Para uns eram tempos de chumbo. Dias cinzentos para serem esquecidos. Para outros, foram dias de oportunidades. Dias de sol.
Para todos que sonhavam com dias melhores a trilha sonora foi o rock. Seco, alto, estridente, contrastante. Para os alienados e para os engajados. Foi ao mesmo tempo definitivo e passageiro, lúcido e alucinado. Lascivo e moralista.
Todas as entranhas da sociedade puritana, severa e moralista do pós guerra estava exposta de uma hora para outra nas canções da juventude.
Os conflitos raciais violentos no sul dos Estados Unidos, a guerra fria entre os blocos socialista e capitalista, o oriente e o ocidente, Israel e a Palestina, o Vietnan e Cuba, o homem e seu passeio na lua.
Como os jovens poderiam absorver a violência e a indiferença, agora explícitos, compreender tantas formas novas de ver a vida, ao mesmo tempo que estão sendo envolvidos por mudanças trazidas a reboque dos avanços tecnológicos.
A resposta veio como um grito estridente não planejado, sem mídia sem reportagens, sem capa de revista nem glamour algum.
Big Bands são agora simples conjuntos de apenas quatro ou cinco integrantes. O suficiente para lotar pequenos bares e entupir sociedades. A fama das novas bandas se espalha como o rastilho de pólvora. O rock leva legiões de fãs aos clubes. A velha Inglaterra percebe perplexa que está prestes a explodir.
Em Londres, Aldous Huxley, filho de um diplomata britânico escreve um livro relatando suas experiências com uma nova droga química que expandia a percepção para além dos sentidos. As drogas, como o LSD, se tornam objeto de estudo e curiosidade nos meios acadêmicos mais renomados do planeta. Era preciso conhecer os limites físicos e mentais. Afinal quais seriam os limites do homem?A loucura teria finalmente cura?
Conhecer tudo, agora. Ultrapassar todas a barreiras, já. Alcançar logo o impossível. Não interessa a perfeição, mas a expressão. O rock é pura atitude.
Eram Dias de rock. Estava se formando a grande teia de comunicação global de Mc Luhan. Bill Gates ainda não havia construído sua impressionante muralha high-tech, apenas perambulava em algum lugar místico e exótico entre Calcutá e Bangcoc.
Dias em que o mundo mudou, cresceu e foi apresentado a si mesmo.
Nunca, em momento algum da história isso havia se tornado possível antes.
Talvez tivesse sido isso mesmo o que os jovens do mundo inteiro intuíram, talvez por isso quisessem tanto cantar juntos a mesma canção.
Foi a primeira vez. Haveriam muitas.