daquela horda de locos saem, acredite, alguns gênios e um dos melhores discos de todos os tempos do rock: The Clash e seu Sandinista!
os Punks conseguem a um só tempo atingir o marasmo da cena musical e páginas policiais.
nem tanto pelo tom debochado que dirigem ao "stabelishment", algo a que chamamos de "sistema" ou "nosso modo de vida". é mais pelas crises de abstinência de drogas pesadas. esta sim uma herança maldita da geração que sonhava com Paz e o Amor nos distantes anos 60.
é justamente naqueles anos que estão as raizes do Punk. através dele tbm é curiosamente possível associar o movimento a dois momentos explosivos do maior movimento cultural jovem do sec XX.
nos 60's rolava nos EUA o verão mais doido da história. os parques de Los Angeles eram tomados de jovens vindos por todos os lados que tocavam lá mesmo. muitos seguiam para o bairro latino, outros passavam e aplaudiam. alguns transavam ao ar livre. mas ali todos se drogavam. queriam o admirável mundo novo. a experiência da expanção da consciência. a pressa era para romper limites, mudar o modo materialista de viver, algo que havia se tornado possível com o período de paz e prosperidade desde o fim da II Grande Guerra.
de costa a costa havia o consenso do que a nova geração americana queria, qual era a mensagem. menos em Nova York. ali um grupo ainda mais alucinado conhecia os personagens deserdados do lado podre da grande maçã. "take a walk on the wild side" dizia a letra de Lou Reed o filho mais velho de um advogado magnata de Long Island. em 63, o rock agoniza. enquanto não chegam os Beatles e os Stones com a cavalaria em 65 para mudar tudo Lou junta a mesada com os trocos q ganha numa loja de disco. insiste em ser compositor de rock até encontrar John Cale e formar o "Subterrâneo de Veludo". Andy Warrow, o artista da hora entra pra lançar a banda em 66. depois são moda em NY e entram pra história contemporânea como mitos.
se na costa oeste tudo é colorido e pacífico, em NY os shows são violentos e em lugares sórdidos. o rítmo é primitivo, as letras ácidas. thats rock'n roll !
Quarta-feira, Outubro 22, 2008
Punks X Velvet Underground X Hippies
não tinha visto o tópico do Axes no orkut.
achei bárbaro alguém se ligar assim na história digamos antropológica da música urbano do sec XX.
do q e eu sei digo agora. do resto não falo.
vi o movimento punk chegando ao Rio no início dos 70's. algo ingênuo comercialmente falando comparado aos EMOs dias de hoje.havia ali algo ainda do que fora o grande movimento cultural dos anos 60's.
comecemos pelo cenário mais simples e óbvio: a Londres dos anos 70. a esquina cultural do mundo estava de ressaca. o rock and roll lavara todas as suas roupas sujas e agora andava de limosine.
imagine alguém que como Lennon cantava algo novo mas que é varredor de rua, mendigo e mora escondido num sótão abandonado de suburbio enquanto batalha sua chance de surgir musicalmente. difícil !?
tem muito mais conforto mesmo na favela carioca da Rocinha do que nas ruas daquela época. esse pessoal eram os irlandeses que formavam o Jetrholl Tull. antes do fim dos 70's seriam milionários e famosos. não eram punks. tocavam o que foi rotulado o som moderno que unia o folclórico, o sinfônico e o rock.
porque falei deles!? são um exemplo típico do envolvimento dos dirigentes de marketing das grandes gravadoras no mercado fonográfico.logo surge uma profusão de tendências e misturas sendo lançadas depois do JetrhoTull. rock sinfônico, heavy metal, jazz-rock, progressivo etc. mas eles deram a fórmula. misturar fazer algo novo.
quando o movimento rock passou a soar como música repetida perdeu espaço para o disco dance nas gravadoras. não pq os jovens tivessem se calado. as gravadoras procuravam eram novidades vendáveis.
nesta hora é que uma turma ainda ligada na velha lenda, rock é atitude, e q frequentava uma casa londrina de espetáculos teve a idéia de dar a nova roupagem e voz à velha rebeldia.
foi a namorada do lider da banda quem criou o figurino de acordo com a ocasião. e se eram o lixo, a escória pois então diriam q se dane a rainha!
parece q isto para os ingleses É uma ofensa até hj.
o apelo visual + o som seco de 3 acordes. isso é rock'n roll !!
achei bárbaro alguém se ligar assim na história digamos antropológica da música urbano do sec XX.
do q e eu sei digo agora. do resto não falo.
vi o movimento punk chegando ao Rio no início dos 70's. algo ingênuo comercialmente falando comparado aos EMOs dias de hoje.havia ali algo ainda do que fora o grande movimento cultural dos anos 60's.
comecemos pelo cenário mais simples e óbvio: a Londres dos anos 70. a esquina cultural do mundo estava de ressaca. o rock and roll lavara todas as suas roupas sujas e agora andava de limosine.
imagine alguém que como Lennon cantava algo novo mas que é varredor de rua, mendigo e mora escondido num sótão abandonado de suburbio enquanto batalha sua chance de surgir musicalmente. difícil !?
tem muito mais conforto mesmo na favela carioca da Rocinha do que nas ruas daquela época. esse pessoal eram os irlandeses que formavam o Jetrholl Tull. antes do fim dos 70's seriam milionários e famosos. não eram punks. tocavam o que foi rotulado o som moderno que unia o folclórico, o sinfônico e o rock.
porque falei deles!? são um exemplo típico do envolvimento dos dirigentes de marketing das grandes gravadoras no mercado fonográfico.logo surge uma profusão de tendências e misturas sendo lançadas depois do JetrhoTull. rock sinfônico, heavy metal, jazz-rock, progressivo etc. mas eles deram a fórmula. misturar fazer algo novo.
quando o movimento rock passou a soar como música repetida perdeu espaço para o disco dance nas gravadoras. não pq os jovens tivessem se calado. as gravadoras procuravam eram novidades vendáveis.
nesta hora é que uma turma ainda ligada na velha lenda, rock é atitude, e q frequentava uma casa londrina de espetáculos teve a idéia de dar a nova roupagem e voz à velha rebeldia.
foi a namorada do lider da banda quem criou o figurino de acordo com a ocasião. e se eram o lixo, a escória pois então diriam q se dane a rainha!
parece q isto para os ingleses É uma ofensa até hj.
o apelo visual + o som seco de 3 acordes. isso é rock'n roll !!
Quinta-feira, Agosto 04, 2005
estava estirado na poltrona ordinária do cinema em Copacabana pela sexta vez.
tinha chegado cedo e via as figuras que passavam de um lado a outro. alguns conversavam baixo tranqüilos. a outros o lanterninha se limitava a apontar um lugar vago assim que chegavam.
o cheiro inconfundível de maconha invadiu a sala no inicio do documentário de Janis Joplin. talvez ela dissesse que seria o ar mais apropriado.
gostava particularmente de duas cenas. quando entrava no palco do festival de Monterey Pop num vestido curto, lamê solto ao corpo, mules saltinho fino, uma vasta cabeleira e o vento descobrindo o rosto.
sittin down by my window, honey/lookin out at the rain/
something come along, grabbed a hold of me/
Ball and Chain é uma performance visceral, violenta.
lhe transforma em instantes.
deixa amostra a alma nua. ocupa aquele espaço em que toda vida cabe.
treme, geme, grita, urra, bate os pés. é única e está envolvida pela serpente que veio lhe redimir dos pecados. era a maçã, a oferenda em chamas no palco. ao mundo incongruente resta ser a platéia. seu corpo santo encharcado é um templo, a casa habitada do blues.
o último dia daquele festival de 66, marca o início da ascensão de Janis e fim da primeira grande invasão da horda hippie. conhecida como rainha da flower revolution, herdaria uma Califórnia lisérgica e milhares de alqueires verdes no céu. quando o delírio coletivo parece incontrolável e está no auge, John Lennon chega à América declarando “somos mais populares que Jesus Cristo.”
a São Francisco dos 60’s fora mãe indulgente com o movimento da contra cultura. em seus parques punhados de day-trippers dividiram sonhos durante verões e outonos.
(capa)
bastou o lançamento do primeiro album Cheap Thrills, para que a super-nova mostrasse seu brilho intenso, se consumindo rápido. é só para não correr o risco de morrer sem realizar algo de bom ela disse um dia, já como a maior de todas. pois bastou um ano para se tornar a maior estrela da América.
nos 70’s teve o mesmo tratamento que uma top model tem nos dias de hoje. podia, por direito. mas não era o que ela realmente queria. só assumiu seu posto de estrela e esta seria sua única satisfação como a rainha branca do blues.
a Vogue e a Harper’s Bazaar lhe proclamavam como o novo padrão de beleza, para a Newsweek era ela própria a novidade, a mídia especializada a idolatrava, de resto a imprensa brigava por uma declaração. com Nova York e Londres dominadas, guardava na garagem um capricho psicodélico de US$ 200 mil. um Porsche pintado com as cores do arco-íris.
beleza, dinheiro, inteligência e fama. foi alçada a condição de celebridade. novo paradigma de uma sociedade atrás de objetos de consumo. a América atônita e conservadora queria capitalizar este turbilhão de mudanças. o jeito irreverente de Janis, o impacto visual vibrante, aquela energia formidável, tudo vem bem a calhar.
tão passional e única. parece agradar a todos. em especial a Albert Grossman, maneger de Bob Dylan, a lenda viva do rock. ele vê nela a primeira mulher a se destacar, personificar o delírio coletivo da geração. a redenção para a América branca. é ela quem incorpora o blues aos 60’s. James Brown estava abrindo a socos e performances o caminho inverso, o soul sem concessões, música de negros escutada por adolescentes brancos.
o movimento hippie cultivou numa geração o contraponto à ambição materialista da sociedade capitalista. a flower revolution oferece sua versão do sonho ao alcance de todos em comunidades rurais livres, promete na volta à mãe natureza novas frentes de contato com as artes e alargam suas fronteiras até onde alcança a espiritualidade.
Janis encarna como ninguém essa ruptura com os padrões e estereótipos normais. até para a doida San Francisco ela parece uma exagerada... está no local e no momento em que as coisas aconteceram. só isso. vista como o ícone da época, a leitura é mais um engano. mas é definitiva.
grupos informais se organizavam para concertos de música ao ar livre em San Francisco e nem davam seus primeiros frutos quando Janis se chocou aos limites intolerantes do bom comportamento texano.
não em casa, onde respirava ares liberais, conhecia o prazer da leitura e tinha aprendido a pensar. mas justamente pensar era mais do que se esperava de uma boa moça texana. e depois, Janis estava com a cara cheia de espinhas, engordara na adolescência e mudara de humor. respondia, tinha a língua áspera e afiada. ela se tornara uma rebelde.
havia um único padrão aceitável. nada além era possível ou não existia dentro das visões médias e horizontes estreitos.Janis lia e lia de tudo. da filosofia às artes passando pela política. uma menina audaciosa que em sala de aula defende a integração racial, aos 12 anos. já sabia que era demais para mentes engessadas, para padrões médios.
tinha chegado cedo e via as figuras que passavam de um lado a outro. alguns conversavam baixo tranqüilos. a outros o lanterninha se limitava a apontar um lugar vago assim que chegavam.
o cheiro inconfundível de maconha invadiu a sala no inicio do documentário de Janis Joplin. talvez ela dissesse que seria o ar mais apropriado.
gostava particularmente de duas cenas. quando entrava no palco do festival de Monterey Pop num vestido curto, lamê solto ao corpo, mules saltinho fino, uma vasta cabeleira e o vento descobrindo o rosto.
sittin down by my window, honey/lookin out at the rain/
something come along, grabbed a hold of me/
Ball and Chain é uma performance visceral, violenta.
lhe transforma em instantes.
deixa amostra a alma nua. ocupa aquele espaço em que toda vida cabe.
treme, geme, grita, urra, bate os pés. é única e está envolvida pela serpente que veio lhe redimir dos pecados. era a maçã, a oferenda em chamas no palco. ao mundo incongruente resta ser a platéia. seu corpo santo encharcado é um templo, a casa habitada do blues.
o último dia daquele festival de 66, marca o início da ascensão de Janis e fim da primeira grande invasão da horda hippie. conhecida como rainha da flower revolution, herdaria uma Califórnia lisérgica e milhares de alqueires verdes no céu. quando o delírio coletivo parece incontrolável e está no auge, John Lennon chega à América declarando “somos mais populares que Jesus Cristo.”
a São Francisco dos 60’s fora mãe indulgente com o movimento da contra cultura. em seus parques punhados de day-trippers dividiram sonhos durante verões e outonos.
(capa)
bastou o lançamento do primeiro album Cheap Thrills, para que a super-nova mostrasse seu brilho intenso, se consumindo rápido. é só para não correr o risco de morrer sem realizar algo de bom ela disse um dia, já como a maior de todas. pois bastou um ano para se tornar a maior estrela da América.
nos 70’s teve o mesmo tratamento que uma top model tem nos dias de hoje. podia, por direito. mas não era o que ela realmente queria. só assumiu seu posto de estrela e esta seria sua única satisfação como a rainha branca do blues.
a Vogue e a Harper’s Bazaar lhe proclamavam como o novo padrão de beleza, para a Newsweek era ela própria a novidade, a mídia especializada a idolatrava, de resto a imprensa brigava por uma declaração. com Nova York e Londres dominadas, guardava na garagem um capricho psicodélico de US$ 200 mil. um Porsche pintado com as cores do arco-íris.
beleza, dinheiro, inteligência e fama. foi alçada a condição de celebridade. novo paradigma de uma sociedade atrás de objetos de consumo. a América atônita e conservadora queria capitalizar este turbilhão de mudanças. o jeito irreverente de Janis, o impacto visual vibrante, aquela energia formidável, tudo vem bem a calhar.
tão passional e única. parece agradar a todos. em especial a Albert Grossman, maneger de Bob Dylan, a lenda viva do rock. ele vê nela a primeira mulher a se destacar, personificar o delírio coletivo da geração. a redenção para a América branca. é ela quem incorpora o blues aos 60’s. James Brown estava abrindo a socos e performances o caminho inverso, o soul sem concessões, música de negros escutada por adolescentes brancos.
o movimento hippie cultivou numa geração o contraponto à ambição materialista da sociedade capitalista. a flower revolution oferece sua versão do sonho ao alcance de todos em comunidades rurais livres, promete na volta à mãe natureza novas frentes de contato com as artes e alargam suas fronteiras até onde alcança a espiritualidade.
Janis encarna como ninguém essa ruptura com os padrões e estereótipos normais. até para a doida San Francisco ela parece uma exagerada... está no local e no momento em que as coisas aconteceram. só isso. vista como o ícone da época, a leitura é mais um engano. mas é definitiva.
grupos informais se organizavam para concertos de música ao ar livre em San Francisco e nem davam seus primeiros frutos quando Janis se chocou aos limites intolerantes do bom comportamento texano.
não em casa, onde respirava ares liberais, conhecia o prazer da leitura e tinha aprendido a pensar. mas justamente pensar era mais do que se esperava de uma boa moça texana. e depois, Janis estava com a cara cheia de espinhas, engordara na adolescência e mudara de humor. respondia, tinha a língua áspera e afiada. ela se tornara uma rebelde.
havia um único padrão aceitável. nada além era possível ou não existia dentro das visões médias e horizontes estreitos.Janis lia e lia de tudo. da filosofia às artes passando pela política. uma menina audaciosa que em sala de aula defende a integração racial, aos 12 anos. já sabia que era demais para mentes engessadas, para padrões médios.
Yeah, I’m gonna try – Yeah / Just a little bit harder
minha segunda cena não era propriamente a performance extravagante e louca que se podia esperar de Janis. deixava o seu recado, o testemunho de uma alma que colhera infindáveis escoriações, arranhões, quedas e tropeços na vida de princesa que nunca haveria de ser. rejeitada e excluída da própria comunidade, diluiu suas mágoas em burbom barato e destilou suas desilusões nos tons de uma poderosa garganta - assim ao natural, imitando o que gostava de ouvir.
“quando as coisas estão realmente difíceis e não há ninguém a lhe estender a mão, ninguém que lhe espere em casa, você querendo apenas se sentir mais leve, libertando a mente, o coração...sabe do que você precisa ... você precisa apenas de uma mãe carinhosa..."
Try, try, try/
just a little bit harder/
So I can love, love,love, you/
I tell myself-well, I’m gonna try – yeah/
Just a little bit harder/
So I won’t lose, lose you/
to nobody else/
minha segunda cena não era propriamente a performance extravagante e louca que se podia esperar de Janis. deixava o seu recado, o testemunho de uma alma que colhera infindáveis escoriações, arranhões, quedas e tropeços na vida de princesa que nunca haveria de ser. rejeitada e excluída da própria comunidade, diluiu suas mágoas em burbom barato e destilou suas desilusões nos tons de uma poderosa garganta - assim ao natural, imitando o que gostava de ouvir.
“quando as coisas estão realmente difíceis e não há ninguém a lhe estender a mão, ninguém que lhe espere em casa, você querendo apenas se sentir mais leve, libertando a mente, o coração...sabe do que você precisa ... você precisa apenas de uma mãe carinhosa..."
Try, try, try/
just a little bit harder/
So I can love, love,love, you/
I tell myself-well, I’m gonna try – yeah/
Just a little bit harder/
So I won’t lose, lose you/
to nobody else/
aí alguém lhe falou sobre Leadbelly e o blues
tentar encontrar um saída foi tudo o que essa capricorniana nascida Janis Lyn Joplin em 19 de janeiro de 1943 em Port Arthur/Texas buscava.
queria a paz de casa novamente. menina tímida e obediente. cantora folk aos 16 anos. cabelos loiros quase brancos, aluna dedicada. a filha exemplar da classe média texana nunca encontrou seu caminho de volta.
se não podia ser uma bela texana seria então mais um dos rapazes.
eles podiam beber, sair de carro, jogar sinuca, tocar e cantar nas praias do rio Neches até a madrugada. não chateava. podiam fazer qualquer coisa na frente dela. não ligava. riam de seus palavrões e aquele jeitão.
no fim dos 50’s quando o rock and roll era morimbundo os garotos escutavam jazz e folk. aí alguém lhe falou sobre Leadbelly e de um blues em tintas country.
esta ponte era o acesso que lhe faltava e é para onde correriam suas emoções desafogando a alma turva alguns poucos anos depois.
feia, bebendo muito, sem modos. não havia nada de elegante nela que andava em turma com os rapazes. vai estudar arte na Universidade de Beumont. tenta uma carreira tranqüila. também tenta secretariado, como a mãe, na Universidade de Port Arthur. não há espaço para uma diferente que talvez tivesse dormido com todos os homens e algumas meninas de Beumonte e Port Arthur. podia ter alguma verdade nos boatos. fazia pegas de carro de madrugada, brigava nos bares da fronteira e então por fim descobre as primeiras drogas que chegam no Texas.
nada parece preencher a solidão de Janis. sempre casais de amigos a sua volta. menos Janis, única sem par.
estava pronta para o blues. pronta para a estrada. lia muito. leu sobre jazz e blues. sobre Leadbelly e como era maravilhosa Bessie Smith. como ela cantava. como ela gritava tudo aquilo que Janis estava sentindo.
“comecei a cantar imitando Bessie Smith. copiava mesmo. mas também não fazia força. eu não dizia a mim mesma: agora vou cantar assim. eu só era. minha voz era... era bom porque eu não pensava, apenas sentia... quando eu abri a boca já saiu assim.”
“o Texas é um lugar difícil para cantores de blues, desde Leadbelly. e por isso ele viu nascer tantos intérpretes formidáveis. para mim, Janis Joplim é um deles” a nota é de Jim Langdon. The Austin Statesman. Setembro de 65. oficialmente, a primeira crítica publicada sobre Janis.
queria a paz de casa novamente. menina tímida e obediente. cantora folk aos 16 anos. cabelos loiros quase brancos, aluna dedicada. a filha exemplar da classe média texana nunca encontrou seu caminho de volta.
se não podia ser uma bela texana seria então mais um dos rapazes.
eles podiam beber, sair de carro, jogar sinuca, tocar e cantar nas praias do rio Neches até a madrugada. não chateava. podiam fazer qualquer coisa na frente dela. não ligava. riam de seus palavrões e aquele jeitão.
no fim dos 50’s quando o rock and roll era morimbundo os garotos escutavam jazz e folk. aí alguém lhe falou sobre Leadbelly e de um blues em tintas country.
esta ponte era o acesso que lhe faltava e é para onde correriam suas emoções desafogando a alma turva alguns poucos anos depois.
feia, bebendo muito, sem modos. não havia nada de elegante nela que andava em turma com os rapazes. vai estudar arte na Universidade de Beumont. tenta uma carreira tranqüila. também tenta secretariado, como a mãe, na Universidade de Port Arthur. não há espaço para uma diferente que talvez tivesse dormido com todos os homens e algumas meninas de Beumonte e Port Arthur. podia ter alguma verdade nos boatos. fazia pegas de carro de madrugada, brigava nos bares da fronteira e então por fim descobre as primeiras drogas que chegam no Texas.
nada parece preencher a solidão de Janis. sempre casais de amigos a sua volta. menos Janis, única sem par.
estava pronta para o blues. pronta para a estrada. lia muito. leu sobre jazz e blues. sobre Leadbelly e como era maravilhosa Bessie Smith. como ela cantava. como ela gritava tudo aquilo que Janis estava sentindo.
“comecei a cantar imitando Bessie Smith. copiava mesmo. mas também não fazia força. eu não dizia a mim mesma: agora vou cantar assim. eu só era. minha voz era... era bom porque eu não pensava, apenas sentia... quando eu abri a boca já saiu assim.”
“o Texas é um lugar difícil para cantores de blues, desde Leadbelly. e por isso ele viu nascer tantos intérpretes formidáveis. para mim, Janis Joplim é um deles” a nota é de Jim Langdon. The Austin Statesman. Setembro de 65. oficialmente, a primeira crítica publicada sobre Janis.
Alma beat
os pais pressentem que se tem alguma chance estão fora dali. juntam as economias e mandam Janis conhecer Los Angeles onde faz um curso de verão.
acaba em Venice, o miserável bairro dos beatniks em Nort Beach. o reduto derradeiro da beat generation.
dos escritores malditos da América que elegeram o realismo como tema e a vida errante como lema. a estrada é a morada dos espíritos devassos carregada de relatos de fracassos de onde Charles Bukowski resgata a esperança da dignidade humana. por arte ou por puro heroismo literário. qualquer quartinho ao lado também tem o endereço errante de Allan Bourrogs.
já lera sobre Jack Kerouac no Time, autor da antológica On The Road. é com eles que Janis se identifica, mas ninguém liga.
o ambiente é freak. aprendeu a tomar bolinhas e a se aplicar.
aprende a ganhar a vida cantando blues em Austin. conhece a heroína em Nova York. começa a traficar drogas em San Francisco. as coisas estão fugindo ao controle.
“eu só queria ser uma pessoa comum. uma pessoa qualquer...” ela se encaixa numa das canções de Bessie Smith “se você não quer nada e se você se conforma, você não sente dor e sofrimento. Blues é querer uma coisa que você não tem”.vaticina encantada com o estilo do novo blues... “ é como um desabafo, onde se pode gritar e dizer às pessoas: hei eu sofro, estou ferida, eu choro...”
ferida e sofrendo com a dependência das anfetaminas, derrotada pelas drogas quer se reestruturar e decide se ajustar à cidade. fica e se forma, mas recebe o título de “O Homem Mais Feio do Campus” na Universidade do Texas.
em San Francisco todos agora são freak. vai e vive o inferno da ronda noturna pela segunda vez, até novamente voltar pra casa à procura de ajuda.
faz psicoterapia. mas desconhece o meio termo. ou se torna submissa a Port Arthur ou é uma selvagem. não quer mais cantar. diz que é isso que a leva a se drogar. tem medo de que as drogas a matem.
os ares de Nort Beach tomaram conta de San Francisco. a transação livre e alucinada daqueles junkies com o som novo. o blues eletrificado. havia uma banda recém formada que a queria. Trevis Rivers veio buscá-la para a Big Brother & Holding Company de Chet Helms. só ela poderia cantar a nova música.
ela dizia que achou ótimo porque “o Travis era incrível na cama e logo saiu me agarrando...não transava há 7 meses...”.
mas na verdade estava nervosa e com muito medo. iria cantar profissionalmente. fracassara novamente como a garota serena e bela do Texas. a velha estrada se abria e os seus demônios lhe esperavam depois da ponte.
quando a banda a viu ficaram arrasados. ela era só uma texana desleixada e tinha até um ar maluco. esperavam por uma deusa sexy...isso durou até que ela começou a cantar. aí então eles mudaram todos os planos que tinham feito.
acaba em Venice, o miserável bairro dos beatniks em Nort Beach. o reduto derradeiro da beat generation.
dos escritores malditos da América que elegeram o realismo como tema e a vida errante como lema. a estrada é a morada dos espíritos devassos carregada de relatos de fracassos de onde Charles Bukowski resgata a esperança da dignidade humana. por arte ou por puro heroismo literário. qualquer quartinho ao lado também tem o endereço errante de Allan Bourrogs.
já lera sobre Jack Kerouac no Time, autor da antológica On The Road. é com eles que Janis se identifica, mas ninguém liga.
o ambiente é freak. aprendeu a tomar bolinhas e a se aplicar.
aprende a ganhar a vida cantando blues em Austin. conhece a heroína em Nova York. começa a traficar drogas em San Francisco. as coisas estão fugindo ao controle.
“eu só queria ser uma pessoa comum. uma pessoa qualquer...” ela se encaixa numa das canções de Bessie Smith “se você não quer nada e se você se conforma, você não sente dor e sofrimento. Blues é querer uma coisa que você não tem”.vaticina encantada com o estilo do novo blues... “ é como um desabafo, onde se pode gritar e dizer às pessoas: hei eu sofro, estou ferida, eu choro...”
ferida e sofrendo com a dependência das anfetaminas, derrotada pelas drogas quer se reestruturar e decide se ajustar à cidade. fica e se forma, mas recebe o título de “O Homem Mais Feio do Campus” na Universidade do Texas.
em San Francisco todos agora são freak. vai e vive o inferno da ronda noturna pela segunda vez, até novamente voltar pra casa à procura de ajuda.
faz psicoterapia. mas desconhece o meio termo. ou se torna submissa a Port Arthur ou é uma selvagem. não quer mais cantar. diz que é isso que a leva a se drogar. tem medo de que as drogas a matem.
os ares de Nort Beach tomaram conta de San Francisco. a transação livre e alucinada daqueles junkies com o som novo. o blues eletrificado. havia uma banda recém formada que a queria. Trevis Rivers veio buscá-la para a Big Brother & Holding Company de Chet Helms. só ela poderia cantar a nova música.
ela dizia que achou ótimo porque “o Travis era incrível na cama e logo saiu me agarrando...não transava há 7 meses...”.
mas na verdade estava nervosa e com muito medo. iria cantar profissionalmente. fracassara novamente como a garota serena e bela do Texas. a velha estrada se abria e os seus demônios lhe esperavam depois da ponte.
quando a banda a viu ficaram arrasados. ela era só uma texana desleixada e tinha até um ar maluco. esperavam por uma deusa sexy...isso durou até que ela começou a cantar. aí então eles mudaram todos os planos que tinham feito.
Quarta-feira, Agosto 03, 2005
rendas, flores e colares
todo o pessoal da banda vai morar na comunidade rural de Laguanitas. é lá que Janis descobre que não precisa ser a boa texana para ser aceita.
as garotas lhe ensinam como se vestir. elas usam rendas, flores, colares, cabelos soltos e perfume patchuli. era fácil. foi natural. Janis aprendeu o que fazer para ser compreendida mas não como ser amada.
todos tinham seus pares. menos Janis. era quem transava todos. porque ela era totalmente livre. isto é, não tinha ninguém.
a liberdade era a outra face da solidão de Janis. para estancar suas antigas feridas até que suporta o combate um tempo mas cai diante de outro velho demônio: o álcool, que lhe ajuda a só esquecer. depois vem as anfetaminas e enfim a heroína. é assim que ela domina a cena dos parques de San Francisco do verão ao outono de 66 até explodir em naquela noite em Monterey.
as garotas lhe ensinam como se vestir. elas usam rendas, flores, colares, cabelos soltos e perfume patchuli. era fácil. foi natural. Janis aprendeu o que fazer para ser compreendida mas não como ser amada.
todos tinham seus pares. menos Janis. era quem transava todos. porque ela era totalmente livre. isto é, não tinha ninguém.
a liberdade era a outra face da solidão de Janis. para estancar suas antigas feridas até que suporta o combate um tempo mas cai diante de outro velho demônio: o álcool, que lhe ajuda a só esquecer. depois vem as anfetaminas e enfim a heroína. é assim que ela domina a cena dos parques de San Francisco do verão ao outono de 66 até explodir em naquela noite em Monterey.
Domingo, Abril 17, 2005
Sábado, Abril 16, 2005
Thick As a Brick
Depois de encarar o vento frio e as portas fechadas das gravadoras e da imprensa, Ian consegue uma agência que os apoie. Não é uma brastemp, mas ele quer a estrada e tem todo aquele ambiente folclórico da Escócia que volta aos poucos à sua mente, as histórias fantásticas, faunos, florestas e duendes. Como trocam de nome a cada show, alguém do escritório sugere o nome de um agricultor inglês do século 18, conhecido por suas esculturas em madeira, ninguém se incomoda? Ian acha divertida a idéia. Por quê não?
Ian que sustentara a banda trabalhando como faxineiro em um cinema quase foi expulso quando trouxe uma flauta antes da turnée. Era mais fácil transportar, ele dizia. Queriam bater nele. Uma banda de rock e de blues nunca teve flauta. Mas passariam a ter, depois dele. Ouve o jazz de Roland Kirk que vira sua nova paixão, lhe inspira a ser emocionante, a criar, a ser melhor.
Pouco a pouco o underground londrino descobre o impacto da nova sonoridade. Não tarda e vai alcançar o primeiro lugar nas vendas, ele diz.
Na efervescência daquele antológico verão de 68, o planeta finalmente conhece o Jethro Tull, que explode tocando para 80 mil pessoas no Festival de jazz e blues de Salisbury. Quando a mídia especializada se recupera do susto e reconhece o fenômeno já era tarde demais, Ian Anderson carrega ódio e desprezo pela imprensa "que vem para tomar cerveja de graça" . O primeiro LP (disco em vinil Long Play) This Was é o fenômeno. Disco de Ouro, 1º lugar nas paradas da Inglaterra. O grupo certo na hora certa. Rock com blues, com o folk escocês, o jazz, o clássico e até a pauleira dos heavy. É a agitação da época.
Vem então os sucessos Living in The Past, Sweet Dream, Witches's Promise. O 2º LP Stand Up dsta vez é calorosamente recebido pela imprensa.
Eles preferem excursionar pela Europa e Inglaterra com Jimi Hendrix. Nos Estados Unidos nada mais in do que aqueles sons europeus, nórdicos, célticos.
Disco de ouro agora na América com Aqualung, dizem que é sua obra prima. Suas atenções ao público americano deixa a platéia inglesa enciumada. Com tanto sucesso os velhos amigos voltam. Aqueles que fugiram da fome e do frio.O grande duende não liga. Mas dá as regras do jogo: muito trabalho, nada de drogas, nem farras. bate forte nos Stones e bandas como Led Zéppeling. O Jethro Tull é como servir o exército.
A imprensa de fato nunca gostou daquela figura bizarra que parece um mendigo. Mas nos palcos ele é eletrizante e as platéias ficam enfeitiçadas. Poderes próprios de um personagem que se cerca de faunos, elfos e gnomos rockeiros. Vem Thick As a Brick. É sua auto biografia não declarada. A história de alguém que é precoce, se interessa e também é obrigado a transceder os limites de sua idade. é um mosaico das manias, dos sons, da alma e do temperamento britânico.
O temperamento louco de Ian em seu turbilhão criativo entra em choques cada vez mais frequentes com a imprensa, a quem detestava por uma conta aberta no passado. O resultado é que o desgaste é grande dentro e fora do grupo. Mal na Inglaterra, Passion Play é outro disco de ouro nos Estados Unidos. Guerra declarada, o escritório Ellis-Wright, leia-se futura gravadora Chrysalis declara que "devido a abusos e injustiças da imprensa, o Jethro Tull pretende se retirar dos palcos por tempo indeterminado".
Nova batalha, novas estratégias, novas armas. A gravadora queria apenas poupar o lançamento do novo trabalho, isto antes de Ian ser trucidado vivo.
Ian não facilita:"tentei ficar parado , não consigo parar de trabalhar...tentei , meu cérebro precisa se expandir...tentei ficar dois dias sem fazer nada, quase enlouqueci...meu trabalho é complexo, não é a mesma coisa rala que existe por aí, exige atenção maior... Acredito que a música deva exigir de quem ouve o mesmo esforço, o mesmo grão de sofrimento, a mesma atenção dada por quem a compôs, não quero fazer música repetitiva, banal... Creio que a imprensa não tem nível mental para entender minha música. é um jogo desigual, eles deveriam se limitar a mostrar os fatos..."
War child é até um nome sugestivo para estas circunstancias beligerantes entre Ian e a imprensa agora européia. As cançõe são simples, cristalinas e belas, diz parte da imprensa, como antes, em Bennefit e Aqualung, é a cutucada.
e Ian que sempre responde diz que fez assim porque quis.
Não importa, os fãns são ardorosos e estão esperando. Novas turnées, na América estádios com os 92 mil lugares que contrastam novamente com o doido Ian.
nada de drogas, mas faz agora concessão ao cigarro. às vezes até uma cerveja. muito discretamente pode ser visto com uma garota. mas ninguém se droga na sua frente.
ele fala no assunto Ian. está milionário, mora em hotéis e tudo que tem cabe em suas duas grandes malas surradas. ao contrário dos mega astros do rock, nada de carro esport, roupas caras e limosines. tem uma moto. não é extravante com gastos. não gosta de aparentar. está feliz de ser um músico e leva isto a sério.
"fico doente de ver aquela gente toda na praia em Monte Carlo sem fazer nada. eu me orgulho de trabalhar em música todo o dia, o dia todo. quero justificar o que diz o meu passaporte. profissão: músico."
Esta mudado. sente cansaço ao fim dos vinte anos. já se deixa fotografar de jeans e camiseta. clássico. o disco que parece seu epitáfio vem em 76.
Too Old To Rock 'n Roll...TooYoung To Die. velho demais para o rock'n roll...jovem demais para morrer.
ele desconversa, diz que está cheio de energia, muito a fim de andar de moto e paquerar as garotas.
mentira do músico profissional. na verdade ele casa com sua produtora de palco e está é cheio das superproduções que tomaram conta do rock. "vou abandonar tudo isto e em breve todos vão abandonar também. é tão falso, não tem nada a ver com a época em que vivemos, uma época de crise..."Ian que sempre olha para todos os lados e para o futuro. grupos como o Jetthro Tull, Yes e Pink Floyd se cansaram do esquema comercial e partiram para o progressivo. ele passou os anos todos do temporal falando em Deus e diabo. na morte e da vida mundana das pessoas da velh aInglaterra.
a propósito Ian, se o Tull acabasse qual seria o epitáfio mesmo?
"um punhado de caras estranhos, um grupo que nunca deixou uma platéia insatisfeita".
não é decerto tudo a dizer deles. havia um som muito, muito próprio. exclusivo. gaitas de fole, um catecismo discarado, contos de fadas, elfos, anões e menestréis feudais , brigas homéricas com a imprensa, muitos amigos e ex-amigos, Martin Barre seu parceiro e guitarrista de jornada. a América e a Europa aos seus pés. mas essa não foi a definição escolhida por ele. então, melhor não atiçar o duende.
numa edição de segunda feira, 11/04/2005 de Zero Hora, consta que o sessentão lider dos Tull se apresenta em Porto Alegre com uma orquetra. uma volta aos fins dos anos 60.
ironiza."prefiro uma simpática síntese de guitarra, piano e percussão, bateria e baixo com instrumentos tradicionais de orquestra. é um repertório em que os músicos podem sair do show com os ouvidos e a dignidade intactos."
com a indefectível flauta na mão, uma bandana na cabeça, subiu ao palco para as alinhadas cadeiras de veludo do imponente teatro do SESI ao preço módico de R$ 150,00.
nada mau para quem desceu da Escócia à procura de diversão.
Ian que sustentara a banda trabalhando como faxineiro em um cinema quase foi expulso quando trouxe uma flauta antes da turnée. Era mais fácil transportar, ele dizia. Queriam bater nele. Uma banda de rock e de blues nunca teve flauta. Mas passariam a ter, depois dele. Ouve o jazz de Roland Kirk que vira sua nova paixão, lhe inspira a ser emocionante, a criar, a ser melhor.
Pouco a pouco o underground londrino descobre o impacto da nova sonoridade. Não tarda e vai alcançar o primeiro lugar nas vendas, ele diz.
Na efervescência daquele antológico verão de 68, o planeta finalmente conhece o Jethro Tull, que explode tocando para 80 mil pessoas no Festival de jazz e blues de Salisbury. Quando a mídia especializada se recupera do susto e reconhece o fenômeno já era tarde demais, Ian Anderson carrega ódio e desprezo pela imprensa "que vem para tomar cerveja de graça" . O primeiro LP (disco em vinil Long Play) This Was é o fenômeno. Disco de Ouro, 1º lugar nas paradas da Inglaterra. O grupo certo na hora certa. Rock com blues, com o folk escocês, o jazz, o clássico e até a pauleira dos heavy. É a agitação da época.
Vem então os sucessos Living in The Past, Sweet Dream, Witches's Promise. O 2º LP Stand Up dsta vez é calorosamente recebido pela imprensa.
Eles preferem excursionar pela Europa e Inglaterra com Jimi Hendrix. Nos Estados Unidos nada mais in do que aqueles sons europeus, nórdicos, célticos.
Disco de ouro agora na América com Aqualung, dizem que é sua obra prima. Suas atenções ao público americano deixa a platéia inglesa enciumada. Com tanto sucesso os velhos amigos voltam. Aqueles que fugiram da fome e do frio.O grande duende não liga. Mas dá as regras do jogo: muito trabalho, nada de drogas, nem farras. bate forte nos Stones e bandas como Led Zéppeling. O Jethro Tull é como servir o exército.
A imprensa de fato nunca gostou daquela figura bizarra que parece um mendigo. Mas nos palcos ele é eletrizante e as platéias ficam enfeitiçadas. Poderes próprios de um personagem que se cerca de faunos, elfos e gnomos rockeiros. Vem Thick As a Brick. É sua auto biografia não declarada. A história de alguém que é precoce, se interessa e também é obrigado a transceder os limites de sua idade. é um mosaico das manias, dos sons, da alma e do temperamento britânico.
O temperamento louco de Ian em seu turbilhão criativo entra em choques cada vez mais frequentes com a imprensa, a quem detestava por uma conta aberta no passado. O resultado é que o desgaste é grande dentro e fora do grupo. Mal na Inglaterra, Passion Play é outro disco de ouro nos Estados Unidos. Guerra declarada, o escritório Ellis-Wright, leia-se futura gravadora Chrysalis declara que "devido a abusos e injustiças da imprensa, o Jethro Tull pretende se retirar dos palcos por tempo indeterminado".
Nova batalha, novas estratégias, novas armas. A gravadora queria apenas poupar o lançamento do novo trabalho, isto antes de Ian ser trucidado vivo.
Ian não facilita:"tentei ficar parado , não consigo parar de trabalhar...tentei , meu cérebro precisa se expandir...tentei ficar dois dias sem fazer nada, quase enlouqueci...meu trabalho é complexo, não é a mesma coisa rala que existe por aí, exige atenção maior... Acredito que a música deva exigir de quem ouve o mesmo esforço, o mesmo grão de sofrimento, a mesma atenção dada por quem a compôs, não quero fazer música repetitiva, banal... Creio que a imprensa não tem nível mental para entender minha música. é um jogo desigual, eles deveriam se limitar a mostrar os fatos..."
War child é até um nome sugestivo para estas circunstancias beligerantes entre Ian e a imprensa agora européia. As cançõe são simples, cristalinas e belas, diz parte da imprensa, como antes, em Bennefit e Aqualung, é a cutucada.
e Ian que sempre responde diz que fez assim porque quis.
Não importa, os fãns são ardorosos e estão esperando. Novas turnées, na América estádios com os 92 mil lugares que contrastam novamente com o doido Ian.
nada de drogas, mas faz agora concessão ao cigarro. às vezes até uma cerveja. muito discretamente pode ser visto com uma garota. mas ninguém se droga na sua frente.
ele fala no assunto Ian. está milionário, mora em hotéis e tudo que tem cabe em suas duas grandes malas surradas. ao contrário dos mega astros do rock, nada de carro esport, roupas caras e limosines. tem uma moto. não é extravante com gastos. não gosta de aparentar. está feliz de ser um músico e leva isto a sério.
"fico doente de ver aquela gente toda na praia em Monte Carlo sem fazer nada. eu me orgulho de trabalhar em música todo o dia, o dia todo. quero justificar o que diz o meu passaporte. profissão: músico."
Esta mudado. sente cansaço ao fim dos vinte anos. já se deixa fotografar de jeans e camiseta. clássico. o disco que parece seu epitáfio vem em 76.
Too Old To Rock 'n Roll...TooYoung To Die. velho demais para o rock'n roll...jovem demais para morrer.
ele desconversa, diz que está cheio de energia, muito a fim de andar de moto e paquerar as garotas.
mentira do músico profissional. na verdade ele casa com sua produtora de palco e está é cheio das superproduções que tomaram conta do rock. "vou abandonar tudo isto e em breve todos vão abandonar também. é tão falso, não tem nada a ver com a época em que vivemos, uma época de crise..."Ian que sempre olha para todos os lados e para o futuro. grupos como o Jetthro Tull, Yes e Pink Floyd se cansaram do esquema comercial e partiram para o progressivo. ele passou os anos todos do temporal falando em Deus e diabo. na morte e da vida mundana das pessoas da velh aInglaterra.
a propósito Ian, se o Tull acabasse qual seria o epitáfio mesmo?
"um punhado de caras estranhos, um grupo que nunca deixou uma platéia insatisfeita".
não é decerto tudo a dizer deles. havia um som muito, muito próprio. exclusivo. gaitas de fole, um catecismo discarado, contos de fadas, elfos, anões e menestréis feudais , brigas homéricas com a imprensa, muitos amigos e ex-amigos, Martin Barre seu parceiro e guitarrista de jornada. a América e a Europa aos seus pés. mas essa não foi a definição escolhida por ele. então, melhor não atiçar o duende.
numa edição de segunda feira, 11/04/2005 de Zero Hora, consta que o sessentão lider dos Tull se apresenta em Porto Alegre com uma orquetra. uma volta aos fins dos anos 60.
ironiza."prefiro uma simpática síntese de guitarra, piano e percussão, bateria e baixo com instrumentos tradicionais de orquestra. é um repertório em que os músicos podem sair do show com os ouvidos e a dignidade intactos."
com a indefectível flauta na mão, uma bandana na cabeça, subiu ao palco para as alinhadas cadeiras de veludo do imponente teatro do SESI ao preço módico de R$ 150,00.
nada mau para quem desceu da Escócia à procura de diversão.
Domingo, Abril 03, 2005
Jethro Tull
O exército de um duende.
"Este é um lugar grande, extraordinário. Sempre há algo novo para se descobrir, nunca se sabe o que está oculto num canto. E Elfos, senho! Elfos por toda parte. Alguns terríveis e esplêndidos como reis, outros alegres e descuidados como crianças. E a música, e as canções!"
( Tolkien - " O Senhor dos Anéis". Livro I )
A foto certa deveria ser feita em 1968. De aí até oito anos mais é a colheita do trabalho árduo do grupo de Ian Anderson. Oito anos antes, é Ian Andeson quem carrega o grupo nas costas.
Um duende insistem ainda alguns na velha e misteriosa escócia. Mais um escocês calvinista de espírito indomável diriam os professores que tentaram sem sucesso catequizá-lo.
Um agnóstico precoce aos 10 anos. Mas que manteve o amor também obsessivo pelo trabalho, constante, sim, árduo, difícil, redentor.
E mais estranho ainda no ninho rejeitou com veemência todas as drogas e as bebidas fortes, groupies (as namoradas, que ficavam com os artistas de rock) e o luxo fácil e devasso que invadia aso poucos o rock em sua adolescência.
Segunda, agora no início deste abril que esfria com os primeiros ares gelados do polo sul, ele reaparece em Porto Alegre como um senhor bem sucedido, pra uma platéia abastada, disposta a pagar um bom preço pelo conforto das poltronas de veludo do teatro grande.
Já viu e ouviu tudo. Inclusive contarem sua própria história como parte da história.
A saga do jethro Tull, como atestaram periódicos da época, era a de um duende louco que desce da Escócia, disposto a matar o seu tédio com música.
Calvinista e ambicioso, duro.
Encontra uns garotos que como de resto da Inglaterra estão curtindo o blues. Um pianista rico, um testemunha de Jeová e um guitarrista maluco. Nosso herói luta. Mas apesar das lutas, o sucesso não vem. No frio de um porão na Londres cinzenta, o duente sonha e vê além.
O duro escocês Ian. Ambicioso, que não teme barra pesada como os seus amigos. O teimoso Ian. O leonino Ian será rapidamente o lider que os fará despertar.
Ele com o longo e esfarrapado casaco de boa lã do pai voando no vento frio das esquinas. Os ares cinzentos daqueles tempos, o marrom envelhecido do casaco, o frio negro da noite. Ele um sujeito magro, alto, ruivo cruzando resoluto seu caminho.
segue.
"Este é um lugar grande, extraordinário. Sempre há algo novo para se descobrir, nunca se sabe o que está oculto num canto. E Elfos, senho! Elfos por toda parte. Alguns terríveis e esplêndidos como reis, outros alegres e descuidados como crianças. E a música, e as canções!"
( Tolkien - " O Senhor dos Anéis". Livro I )
A foto certa deveria ser feita em 1968. De aí até oito anos mais é a colheita do trabalho árduo do grupo de Ian Anderson. Oito anos antes, é Ian Andeson quem carrega o grupo nas costas.
Um duende insistem ainda alguns na velha e misteriosa escócia. Mais um escocês calvinista de espírito indomável diriam os professores que tentaram sem sucesso catequizá-lo.
Um agnóstico precoce aos 10 anos. Mas que manteve o amor também obsessivo pelo trabalho, constante, sim, árduo, difícil, redentor.
E mais estranho ainda no ninho rejeitou com veemência todas as drogas e as bebidas fortes, groupies (as namoradas, que ficavam com os artistas de rock) e o luxo fácil e devasso que invadia aso poucos o rock em sua adolescência.
Segunda, agora no início deste abril que esfria com os primeiros ares gelados do polo sul, ele reaparece em Porto Alegre como um senhor bem sucedido, pra uma platéia abastada, disposta a pagar um bom preço pelo conforto das poltronas de veludo do teatro grande.
Já viu e ouviu tudo. Inclusive contarem sua própria história como parte da história.
A saga do jethro Tull, como atestaram periódicos da época, era a de um duende louco que desce da Escócia, disposto a matar o seu tédio com música.
Calvinista e ambicioso, duro.
Encontra uns garotos que como de resto da Inglaterra estão curtindo o blues. Um pianista rico, um testemunha de Jeová e um guitarrista maluco. Nosso herói luta. Mas apesar das lutas, o sucesso não vem. No frio de um porão na Londres cinzenta, o duente sonha e vê além.
O duro escocês Ian. Ambicioso, que não teme barra pesada como os seus amigos. O teimoso Ian. O leonino Ian será rapidamente o lider que os fará despertar.
Ele com o longo e esfarrapado casaco de boa lã do pai voando no vento frio das esquinas. Os ares cinzentos daqueles tempos, o marrom envelhecido do casaco, o frio negro da noite. Ele um sujeito magro, alto, ruivo cruzando resoluto seu caminho.
segue.
Segunda-feira, Março 21, 2005
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